quarta-feira, 2 de abril de 2025

O Deportivo Táchira

Imagem extraída de https://deportivotachira.com/
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Salve, Buteco! Para falar sobre o nosso adversário de amanhã, eu, que nasci em 1969, preciso, antes, discorrer sobre como era o futebol venezuelano na época em que o clube foi fundado, aos 11 de janeiro de 1974. Minhas primeiras memórias são os confrontos da Seleção Brasileira contra a Venezuelana, cujo histórico na época diz muita coisa: nos dezessete primeiros confrontos, desde o ano em que nasci, foram massacrantes dezessete vitórias brasileiras, com 78 gols contra apenas 4 da La Vino Tinto.

O primeiro gol venezuelano no Brasil ocorreu na Copa América de 1989, na Fonte Nova, em Salvador, Bahia, e foi marcado por um uruguaio naturalizado, de nome Maldonado, ex-jogador do próprio Táchira e que acabou jogando por um ano no Fluminense, em 1992, compondo o elenco que foi vice-campeão da Copa do Brasil.

Portanto, o futebol venezuelano era um retrato de sua profissionalização tardia, em 1957, e do início da participação dos clubes de fora da capital apenas a partir de 1965. Quase uma década depois, foi fundado o Deportivo San Cristóbal, que viria a ser rebatizado como Deportivo Táchira FC e se tornar um dos dois maiores clubes do país, contando com uma torcida fanática, presente em todo o território do país.

O campeonato venezuelano, nicho no qual o Táchira cresceu e se desenvolveu, adotou o formato apertura e clausura, em vigor até hoje, somente na temporada 1996/1997. Até então, o nosso próximo adversário possuía 3 títulos, mesmo número de seu arquirrival Caracas FC, com o qual disputa a condição de principal clube do país e o chamado "Clásico del Fútbol Venezoelano"

Até aqui, El Carrusel Aurinegro tem uma vitória a mais do que Los Demonios Rojos - 39v contra 38d e 51 empates em 128 partidas jogadas em confronto direto. Em compensação, Los Rojos del Ávila têm um título nacional a mais (12x11).

Com um campeonato melhor estruturado, o futebol venezuelano progrediu e, em 6 de junho de 2008, no Gillette Stadium, em Foxborough/USA, La Vino Tinto venceu pela primeira vez a Canarinho, então comandada por Dunga: 2x0, gols de Maldonado (o nome persegue a Canarinho) e Vargas.

La Vino Tinto mostrou que está mais competitiva. Não conseguiu vencer o Verde e Amarelo novamente, mas desde então "só" perdeu 7 vezes e arrancou 4 empates, dois deles nos últimos dois confrontos. Hoje já tem jogadores que exibem categoria se destacam em grandes clubes do futebol brasileiro, como Savarino e Soteldo, e até no futebol europeu. 

Contudo, no elenco atual, o Táchira tem como representante apenas o zagueiro Carlos Vivas, de 22 anos, o qual, porém, após a convocação para o amistoso em janeiro (1x3 EUA), não foi chamado para as duas últimas partidas, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo 2026. A distância entre o plantel e a força competitiva do selecionado vinho tinto e os principais clubes do seu país é muito grande. 

Um espelho desse fosso de competitividade é o desempenho recente na Libertadores: nos últimos dez anos, o Táchira conseguiu passar pela Fase de Grupos em uma única ocasião, na edição de 2016, quando foi eliminado, nas oitavas de final, pelo Pumas (Universidad Nacional) do México (1x0 e 0x2).

Foi uma boa campanha, se considerarmos a (muito) maior força do futebol mexicano e que, no Grupo 7, os aurinegros superaram Olimpia e Emelec, ficando atrás apenas e justamente do Pumas. Antes disso, o Táchira só havia feito melhor campanha em 2004, quando não só se classificou na fase de grupos (10 pontos contra 11 do River Plate no Grupo 6), como eliminou o Nacional de Montevidéu nas oitavas e caiu para o São Paulo nas quartas.

Essa, porém, nunca foi a regra, inclusive nos últimos 10 anos, como eu ia dizendo. Nas últimas 3 participações, uma queda na segunda fase e duas eliminações na Fase de Grupos. Em ambas, contudo, o Táchira logrou ficar na terceira posição e se classificar para a Copa Sul-Americana. 

Em 2022 não foi páreo para o Palmeiras e seus extravagantes 18 pontos, mas em 2021 os venezuelanos venceram as três partidas em San Cristóbal e ficaram a apenas 1 ponto do Internacional e empatados com o Olimpia no quesito, porém com um pior saldo de gols.

Ainda assim, a realidade de 2021 parece bem distante.

Na Libertadores/2025, o Táchira entra na vaga de campeão venezuelano da temporada 2023/2024. No Clausura em curso (2024/2025), ocupa a vice-liderança pelos critérios de desempate, já que 4 clubes somam 18 pontos na tabela. Até aqui, são 5 vitórias, 3 empates e uma derrota, com 12 gols marcados e 6 sofridos.

Segundo o Transfermarkt, seu elenco, treinado pelo ex-atacante Édgard Fernando Pérez Greco, está avaliado em € 6,75M, algo incomparável com os  219,15M do Clube de Regatas do Flamengo ou mesmo com os € 21,00M da LDU e os € 13,78M do Central Córdoba, segundo o mesmo site.

Para vocês terem outro parâmetro, quando faço o mesmo post sobre adversários equatorianos, sempre aparecem talentos das divisões de base das respectivas seleções nacionais compondo o elenco principal, o que simplesmente inexiste na atual versão do Táchira. Os desconhecidos atletas argentinos do plantel me fazem lembrar dos chilenos Unión La Calera, Ñublense e Palestino.

"Opa! Você disse Unión La Calera, Ñublense e Palestino, Gustavo?!"

Sim, eu sei, eu sei (risos), mas este é o Flamengo de SuperFili e, portanto, o prognóstico não pode ser outro que não a vitória, mesmo com todos os desfalques e em se tratando de uma estreia e de um provável bom público no Estádio Polideportivo de Pueblo Novo (1.050msnm), que tem capacidade para receber 42.000 pessoas.  

O Flamengo é favorito e a expectativa de vitória é natural. Logo, sem crises pessimistas, por gentileza (muitos risos).

Amanhã a gente se vê novamente no Esquenta.

A palavra está com vocês.

Bom dia e SRN a tod@s.