Mas e aí? Será que terei que fazer uma nova análise daqui a dois meses, ou no início do ano que vem, quando o Oswaldo for demitido? Fique claro que não estou torcendo contra, muito pelo contrário, mas essa regra tem sido constante desde que me entendo por rubro-negro. Só nesse século XXI, o Flamengo teve 35 mudanças de treinador, com 22 nomes diferentes. Nomes como João Carlos Costa (quem?!), Júlio César Leal, Lula Pereira e, mais recentemente, Rogério e Silas. É, dentre os doze grandes, o que mais mudou. Cada passagem dura, em média, menos de 29 jogos e o recordista é o Luxemburgo de 2010 a 2012, com 84 partidas. Na atual gestão, já são sete trocas.
Isso não pode estar certo. Enxergo dois principais motivos para essa rotação insana: a cultura brasileira por resultados imediatos e a falha na definição sobre o que esperar de um treinador. A respeito do primeiro, não há muito o que fazer. Uma resposta (infeliz, na minha opinião) do EBM na apresentação do Oswaldo mostrou isso. Ele disse que, a cada derrota, seu telefone não parava de tocar pedindo a demissão do Cristóvão. Treinador perde três partidas seguidas e já balança. Aguirre levou o Internacional à semifinal da Libertadores e foi demitido porque o presidente queria "criar um fato novo" antes de um Grenal. Em contrapartida, todos conhecemos a história do Tite no Corinthians.
Podemos trabalhar, entretanto, no sentido de entender o que esperamos de um treinador de futebol para o clube. É uma definição complexa que passa por estilo de jogo, utilização da base, autocrático ou permissivo, vários fatores e características. Só que tudo isso passa primeiro por definir um modelo para o próprio Flamengo. Será que aquele lugar comum de time ofensivo com posse de bola e muita raça é o que queremos? Teremos uma forma de avaliação por quantidade de jogadores formados no clube e aproveitados no time principal ou seremos um vendedor como Inter, Santos e Fluminense? Teremos uma política de contratação que leve em consideração o comportamento dos nossos atletas ou sempre precisaremos de um treinador mais "linha dura" para controlar o elenco? Esse estudo é complexo e não deve ser feito sem bastante análise mas tão logo tenhamos essas diretrizes, menores serão as chances de erro na escolha dos nossos treinadores.
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Pra cima deles, Mengão!